13 junho, 2007
Eu nunca quis ser mãe, mas ainda assim tenho uma vontade inesgotável de dar amor aos meus amigos, e deve ser por isso que todos eles acham que eu daria uma boa mãe... eu também acho, mas não quero...Nunca tive essa vontade, e não a vou contrariar. Vivo feliz os meus dias de liberdade, de prazer, e de amor.
Sempre me senti feliz por nunca ter pensado em filhos, e ainda hoje continuo firme na minha certeza, mas a verdade é que esta minha convicção não me livra de uma tragédia... a tragédia seria ficar grávida sem querer.
Há uns tempos atrás corri o risco estúpido de engravidar. Tinha todos os sintomas, e um pai para a criança de que me orgulharia. Se a gravidez se tivesse confirmado, a minha vida não seria a coisa boa que é.
Na minha idade, e com dinheiro e inteligência suficiente para criar uma criança, eu não faria um aborto, mas também não gostaria de ser mãe, por não ser essa a minha opção de vida.
E se a natureza me fintasse e fizesse de mim mãe à força?
15 maio, 2007
Apanho os sapatos e saio sorrateiramente do quarto enquanto ele ainda dorme. Atravesso o corredor do hotel em passinhos leves, temendo que no meu rosto se perceba o que me vai na cabeça. Não me despedi dele, mas podia ter-lhe dito: "Depois ligo-te" - e desaparecer para sempre...Entro no carro, sorrio ao espelho, e no seu reflexo descubro uma marca no pescoço, que antes não estava lá... foi do prazer... do sexo sem limites nem demasiada racionalidade, até porque os copos são bons conselheiros... os copos e os corpos fundem-se mais facilmente, e ele foi incansável... e eu a nada me furtei...
Talvez a esta hora ele ainda sonhe... ou talvez se esconda no seu blazer...
E agora? O que quero eu?
O telemóvel dá sinal de vida, é ele.
"Preciso de te ver. Descobri que estou apaixonado por ti"
Ai que medo, penso!!! Agora é que o jogo vai começar...
Respondo-lhe com uma proposta para jantar. O jantar fica marcado... o meu pescoço também continua marcado... e eu ainda tenho umas trinta e sete vezes para lhe dizer: "Depois ligo-te" - até a dívida ficar saldada...
Ele apareceu no jantar com o perfume que em tempos me fazia seguir-lhe o rasto. Bebi de golada um Martini Rosso, e ele que antes tinha dificuldades em me ouvir falar, estava agora disposto a dar atenção às minhas palavras.
Ó céus!!! Tanto tempo andei atrás dele, e não é que agora ele vai directo ao assunto: "Estou apaixonado por ti" - Tarde demais, pensei... mas não disse. Fui sorrindo delicadamente, e então confessei: "Sabes, estou numa fase em que só tenho olhos para o trabalho, e sobra-me pouco tempo para namorar".
Ah, ah, ah! Como se alguma vez eu não desse um pontapé no trabalho para ir a correr em busca do amor... ou de uma noite bem passada.
Ele também bebeu sem pestanejar, e dando folga ao nó da gravata (sinal de que o vinho já o encorajava), disse: "Estou disposto a esperar por ti".
Num momento tão solene como este, que era tudo aquilo que eu sonhava há uns tempos atrás, o meu telemóvel tocou com uma sms... ele impaciente perguntou: "Está tudo bem?" - e eu respondi-lhe: "Surgiu um problema, nada de grave, mas tenho que ir, depois ligo-te".
Ai que bem que isto me está a saber...
05 maio, 2007
Falamos de amor. Inventamos as nossas vidas, e esquecemo-nos de tudo.Ela é o meu amor, e eu sou o amor dela. Damos as mãos... mas não fazemos nada... mas também não reparamos.
Não vamos a lado nenhum... não podemos... mas mesmo que pudéssemos, não iríamos.
Não fazemos planos... não os temos... estamos juntos de vez em quando, e é a única coisa com que nos importamos.
Ela não me ama como eu a amo, mas eu também não a amo como já amei. No entanto falamos como se nos amássemos mais que nunca... nada mais é importante... e o meu coração morre sozinho...