11 fevereiro, 2012

Sem ti

Mais um dia sem ti, mais um dia sem ouvir a tua voz, sem sentir o teu toque, o teu cheiro..

Estou deitada na minha cama, olho para o tecto, e lembro-me daquela vez que olhaste este mesmo tecto juntamente comigo. Olhavas para ele, mas era como se ele não estivesse ali, fizeste mil e um planos para nós, sonhaste por ti e por mim, e de repente deixaste de olhar para ele e passaste a olhar para mim. Tentavas explicar-me todos os planos que tinhas para nós, falaste em morarmos juntos, em ter filhos, muitos filhos, 11 ao início, e a muito custo lá te convenci a reduzir para 5... meninos, meninas, tanto fazia desde que fossem lindos como eu... dizias. Eu ria-me, apenas me ria perante os teus planos, mas também eu os queria concretizar. Foi tudo maravilhoso nessa tarde, ou melhor nesse fim-de-semana que passaste comigo, mas aquela tarde em que deitados na minha cama fizeste mil e um planos para nós foi simplesmente inesquecivel... Sei que não vais ler estas palavras, mas se por acaso vieres aqui parar, mesmo que por acidente, sei que saberás de que tarde estou a falar, e sei que também tu a consideras inesquecivel...

Hoje aqui sozinha olho para o tecto e choro, choro porque não percebo o porquê de tantos planos senão fazias tenções de os cumprir, porque me fizeste amar-te? Porque me prendeste a ti senão querias ficar preso a mim? Hoje aqui sem ti sofro, se soubesses como sofro, mas faltam-me forças para to dizer, faltam-me forças para te perguntar porque me fizeste sonhar tão alto se depois me cortaste as asas e me deixaste sozinha? Quero gritar contigo, perguntar porque me fizeste isto, perguntar onde foi que te perdi, em que momento deixaste de me querer? De me amar?

Levanto-me da cama, e enquanto me visto as lágrimas caiem à medida que vejo fotos tuas espalhadas pelo quarto... quero rasgá-las ou pelo menos guardá-las, mas nem para isso tenho forças, respiro fundo e aos poucos junto todas as fotos nas minhas mãos, vou-as passando e revejo o teu sorriso, o teu olhar, o teu ar de puto rebelde... revejo o teu cabelo que eu adorava despentear... meto-as dentro de uma caixa. Pelo menos assim não choro sempre que olho para alguma parte do quarto...

Sento-me na cama, as lágrimas não param de correr, mas têm que parar não posso deixar que ninguém me veja chorar, não posso... Limpo as lágrimas, olho para o espelho e tento sorrir, desde que partiste que deixei de saber o que isso é... Desço as escadas, e saio para a rua... O sol bate-me na cara e até isso me dá vontade de chorar, o sol brilha demais e eu... eu já não tenho brilho... vou andando... tanta gente!!! Será que saiu tudo à rua hoje?

Digo olá à medida que por elas vou passando, sorrio, ou pelo menos tento. Encontro alguém conhecido que não quer um simples olá... Digo olá e sorrio, e a tal pessoa que noutras ocasiões até ficaria feliz de encontrar, parece-me neste momento a pessoa mais chata do mundo, não percebem que quero estar sozinha? Pois, não devem perceber...

- "Como estás?!" - Pergunta-me a tal pessoa que às tantas já não sei quem é, de tão fraca e baralhada que estou... Como estou?... Como estou?... Como achas que estou?... Estou na merda, quero desaparecer, evaporar-me, não consigo parar de chorar, e sinto-me estúpida por isso, nunca me prendi a ninguém... porque fui logo prender-me a quem não queria ficar preso a mim?

Apetece-me dizer tudo isto a gritar mas... não tenho forças e limito-me a dizer: - "Estou bem e tu?"

- Eu? Eu estou no céu, sabes aquelas fases em que tudo nos corre bem? Pois estou numa fase assim... mas tu não me pareces muito bem, tens mesmo a certeza que estás bem?

Tenho, então não tenho, e agora depois desse discurso cheio de felicidade, ainda me sinto melhor por saber que todo o mundo é feliz menos eu... mas mais uma vez não digo nada disto, limito-me a dizer que tenho certeza, e a inventar uma desculpa para me ir embora. Continuo a andar sempre com olás e sorrisos pelo meio, não aguento mais, quero chorar, voltar para casa, para o meu quarto, deitar-me na cama e chorar, chorar...

Um dia alguém disse: "se o meu sorriso mostrasse o fundo da minha alma, muita gente choraria comigo ao ver-me sorrir". Se conseguissem ver o que está por trás do meu sorriso, iam ver alguém frágil que se arma em forte para não preocupar ninguém com os seus problemas, iam ver alguém triste e sem forças, alguém que só tem vontade de deixar de existir. Tento esquecer-te, tento voltar a ser feliz, mas não consigo. Dizem-me para sair com este ou aquele, será que não percebem que não é a colocar um qualquer no teu lugar que te vou esquecer? Não quero ninguém, ninguém... se não puderes ser tu. Quero pedir-te para voltares, quero pedir-te ajuda mas não consigo. A única coisa que consigo fazer é chorar, e é isso que faço agora, choro deitada na minha cama, abraçada ao urso que tu tão bem conheces, enquanto escrevo, mas... já nem para isso tenho forças, por isso isto fica por aqui e eu... eu vou continuar a chorar abraçada ao urso, até que o sono chegue, e me leve para um mundo onde eu possa ouvir-te dizer que me amas...

30 julho, 2011

Eu diria que o silicone é tão útil como o puré de batata de pacote, ou seja, há bocas que comem tudo e não percebem a diferença...

Ora se há quem não saiba nem pegar no garfo e na colher quanto mais nas delicadas mamas de uma gentil donzela!!!

Mamocas... Mamas... gosto da palavra, dá um sentido divertido à coisa. Eu acho mesmo que as mulheres têm mamas, não seios. Por exemplo, o bebé mama não seia... as mulheres fazem mamografia não seiografia... é mamilo, não seiílo...

Seio é uma palavra banal usada para quase tudo e tem uma componente muito "clínica". Todos nós já ouvimos expressões do tipo "no seio da família", ou "no seio do governo". Isto faz sentido? Aqui, seio quer dizer meio, e as mamas estão de lado... uma de cada lado.

A palavra mamas ou mamocas faz mais justiça ao significado, porque seios pode suscitar algum constrangimento da nossa parte, por ser uma palavra que nos remete para algo sagrado... que não se pode tocar... É frequente ouvirmos dizer em alto e bom som: "Mama aqui para ver se eu deixo!!!". Não se ouve dizer: "Seia aqui para ver se eu deixo!!!". Não tinha o efeito desejado...

Eu gosto de mamas... Não acho que seja paranóia minha. Enfim... mas se alguém acha que sim, está no seu direito. Nisto de mamas eu tenho o espírito democrático. Gosto delas independentemente se são pequenas, médias ou grandes.

Para mim continua a ser um mistério o formato delas... nunca percebi bem porque é que algumas mulheres as têm grandes e outras não. Porque é que há tantas formas e feitios. Talvez seja por isso que são tão fascinantes.

Acho que podemos comparar as mamas às impressões digitais. Não há um par igual ao outro. Humm... comparar mamas a impressões digitais!!! Parece-me uma comparação de gosto duvidoso. Eu respeito, e admiro muito esses belíssimos adornos com que as mulheres nos presenteiam. Sem elas... as mamas... o que seria deste mundo?

08 fevereiro, 2011

O meu ideal de homem

Estava eu um dia destes nas minhas divagações, quando inesperadamente cheguei à conclusão que gosto de homens vagamente gays!!! Este ano que caminha a passos largos para o seu final, tem-me dado uma bela amostra dos exemplares masculinos. Sempre me estive a borrifar para a coisa do "homem ideal", porque o "homem ideal" não existe. Vive apenas na cabeça de quem nunca esteve apaixonada, ou de quem nunca teve ninguém a encher-lhe as medidas.

Gosto de brincar com um homem. Gosto de me expor ao ridículo com ele. Gosto de ser feia ao acordar (e alguns deles, de tão apaixonados, até já me vêem bonita), e aparecer deslumbrante ao jantar. Gosto de ser apanhada na casa de banho a limpar as orelhas com um cotonete, ou vê-lo a brincar com as minhas cuecas na cabeça. Gosto de estar na cama a rir-me com ele por se ter embebedado na noite anterior e ter beijado o amigo. Ou por eu ter sido assediada pela rapariga do bar que me ofereceu shots a noite inteira, e o ignorou o tempo todo.

Homem de que eu goste, cobre-me do frio, diz as palavras que eu gosto de ouvir, e está disposto a tudo para me ouvir gritar na cama, e nunca me vai dizer "cuidado que te podem ouvir", pelo contrário, dirá antes "grita mais que eu gosto tanto".

Para as características físicas estou-me sinceramente nas tintas. Nem pernas boas, nem músculos, nem peitorais, porque nadinha disto tem cabimento na minha cabeça. Ou seja, ele até pode vir com tudo isto, mas vai ter que me apertar as coxas e rir-se com as minhas estrias.

Homem que eu goste não tem de ser de nenhuma forma, nem estar em forma. Nem tem de ser branco ou preto, mas tem que ter raça, e coragem, porque o amor é sempre um acto de coragem.

O próximo ano vai ser o ano para combater os homens ideais. Vai ser o ano de procurar um homem vagamente gay, que me diga "a tua carteira é tão bonita", sem querer usá-la. Ou vai ser o ano para apanhá-lo a usar na cara o creme reafirmante para o corpo, e perceber que ele nem tinha reparado nisso. É no início do ano que temos que acordar a nossa lucidez, porque ela tende a perder-se com o passar dos dias. Em 2011 vou procurar pessoas, em vez de perseguir ideais...

27 novembro, 2010

Perigoso

Lá estavas tu com um sorriso lindo...

Foi esta a imagem com que fiquei de ti. Alguém que eu conheci quase por acaso, como se ao mesmo tempo tivesse a noção de que nada é por acaso.

"Pode ser perigoso" - respondeste à minha questão do "parece que nos conhecemos há anos". Talvez... Mas perigoso talvez seja tudo... Talvez seja perigoso eu passar a ver-te cada vez mais bonito. Eu passar a sentir-me cada vez mais incomodada com o teu olhar. Eu própria te ter passado a olhar de uma outra forma. Tudo connosco poderia ser perigoso. Não apenas qualquer coisa, mas sim tudo.

Passámos horas e horas à conversa. Tu ouviste-me, eu ouvi-te, e olhámo-nos... muito. Tudo o que eu quero é voltar a ver-te. Porque a ideia com que fiquei foi de que alguma coisa ficou por dizer... ou fazer...

04 junho, 2010

Eighties

Tínhamos todos 20 anos nos anos oitenta.
Era o tempo da expressão "o que tu queres sei eu".

Felizmente nunca irão saber o que eu queria, nem o que andei a fazer naqueles anos que agora chamam de oitenta. Não são histórias que se possam contar, e muito menos voltar a acontecer. Eram tempos em que dava para fazer tudo ao mesmo tempo, sem se perder a sensação de que não se tinha feito nada, mas bem pelo contrário, de que ainda havia muito para fazer.

Os anos oitenta, foram uma década de puro divertimento. Era a música... a dança... a música de dança... e todos vocês são capazes de distinguir e imaginar, entre o que pode levar à dança, e ao que a dança pode levar...

Nos anos oitenta havia rapazes e raparigas... olhares, vontades, investidas, planos...
E não vale a pena esconder, esses rapazes fizeram-se homens, e as raparigas mulheres. E passaram a dar-se números de telefone, a dar-se "ares de graça", a dar-se desculpas...

Também nos anos oitenta havia projectos, havia problemas, e havia malandrice. Era o efeito desencaminhador... para o bom caminho.
Afinal aquela paródia ininterrupta que foram os anos oitenta valeu a pena...

15 abril, 2010

Tempestade

O País tem estado em alerta devido à tempestade que temos tido, e eu consegui chegar a casa sequinha, porque a tempestade protege sempre as tempestuosas como eu. Gosto de chegar a casa e encontrar o calor do lar, que tem sempre para mim o sabor de reconciliação com o mundo. Mesmo eu que tanto gosto de fazer faísca, não prescindo desse conforto.

Mergulhei na banheira, que enchi de espuma, e estranhamente, pela primeira vez desde que moro neste prédio, comecei a ouvir os risinhos da minha vizinha. Eu nunca tinha ouvido a rapariga a rir!!! Mas mal eu sabia que era apenas e só o princípio da tempestade...

Ela vive com um gajo por quem eu não tenho grande empatia. Ele é esforçado, mas eu chuto-o para canto. Quando os risinhos começaram eu estava a brincar com o patinho de borracha na banheira... e risinho puxa risinho (enquanto o tempo puxava chuva), e o gajo deve ter começado a puxar por ela... ela parecia um trovão a abanar as janelas... ofegante e torrencial, gritando... "sim e sim e siiiiiiiim!!!"

E não pensem que a cena foi nuvem passageira. Não... a tempestade parecia da grossa (se me permitem a expressão). A vizinha estava a ser duramente fustigada pelo dilúvio, e eu ali a espumar-me de raiva, com o patinho já murcho de tanto banho.

Das duas, uma: ou entre eles só há faísca em dias de tempestade, ou era o tempo que trazia até minha casa o eco deles. Nessa noite quase adormeci na banheira, e até aproveitei o barulho dos outros para fazer o meu...

Será que de mim também ficaram a pensar que é só em dias de tempestade??? Será que ouviram o meu patinho??? Para saber, vou ter que esperar pelas próximas chuvadas, sem descurar as boas abertas...

16 janeiro, 2010

Sofá

As mulheres quando estão sozinhas não trocam o sofá por nada, porque ele é bom e seguro, e sempre se poupa nos sapatos. Mas às vezes é preciso dizer não ao sofá, e sair de casa. Porque será que nunca se vê uma mulher bonita a jantar sozinha? Será que alguém a pode comer? Mas isso também não pode acontecer quando se está acompanhada?


Uma mulher bonita à mesa é um prazer, por isso me pergunto muitas vezes porque terão elas medo de ser vistas sozinhas num restaurante ou num bar à noite?
"Então? Também estás cá? Esperas alguém?"
"Não. Estou a jantar sozinha."
"Desculpa?! Olha, eu sentava-me aqui contigo, mas tenho ali o meu namorado à espera."

A resposta a uma situação destas deveria ser: "Mas quem te disse que eu queria companhia?"

Já num bar, dá para imaginar que enquanto ela está no balcão a beber o que gosta, aproxima-se logo um gajo que se cola ao banco e lhe pede lume. Mas como ela não fuma, ele diz: "Que pena."
Certinho, certinho será quando os copos tomarem conta dele, ele voltar à carga com uma pergunta qualquer descabida, e ela lá terá que ter o trabalho de evitá-lo. E se por acaso no bar onde ela se encontra entrar uma "amiga", ela certamente irá logo comentar com os outros: "Coitada dela. Agora sai sozinha. Deve andar à procura de companhia. Olha que ela não tem mesmo sorte".

Eu pessoalmente admiro muito as mulheres que não precisam de ninguém para sair. Mulheres que se arranjam para estar bem com elas próprias. Mulheres que deixam o sofá sozinho em casa. Até porque, eu falo por experiência própria, só custa a primeira vez.

01 janeiro, 2010

Viver também pode ser estarmos sempre à procura daquilo que não temos. É por isso que quando se vive afogado no meio de mulheres lindas, a beleza pode vulgarizar-se, e só um olhar especial, ou umas mãos de seda nos conseguirão arrancar da letargia que essa abundância nos pode provocar.

Quando a conheci ou ela não era assim... ou então foi o meu amor por ela que a transformou naquilo que hoje é aos meus olhos...

15 dezembro, 2009

Dor

Quem não gostaria de ser imune à dor?
A dor é tramada, e a pior dor é aquela que sobe e desce entre a garganta e o peito, e que me tira o sono (infelizmente nunca me tirou o apetite)... é uma dor insuportável. A dor que me dói mais é a da incompreensão, tipo ficar no meio da rua a perguntar "porquê?", e continuar lá sem obter uma resposta.

A última vez que sofri a sério, chorei lágrimas em quantidade que não julgaria possível. E eu até gosto de chorar... choro, e pronto, renasço. Mas chorar pela dor da paixão é diferente de todas as outras dores, porque parece que nunca vai acabar, e que na manhã seguinte teremos mais uma ruga ou um cabelo branco.

A dor é impossível de se aturar, e quando se está a sofrer de amor, a única coisa boa é sabermos que é impossível sentirmo-nos pior, e que portanto o que quer que venha a seguir será sempre melhor. Hoje aconteceu-me olhar para uma das únicas pessoas que me deixaram no meio da rua a perguntar "porquê?", e de facto continuo a perguntar-me porquê? - Porque é que gostei dele?

E foi assim que cheguei à conclusão que todos nós sobrevivemos à dor de um coração despedaçado, porque as dores de amor passam, e nada têm de afrodisíaco, porque quando estamos a sofrer de amor, achamos que nunca mais ninguém nos vai satisfazer sexualmente tanto como a pessoa que nos acabou de deixar. Mas é mentira. É preciso é nunca deixar de tentar, e às vezes até faz bem enganar a dor com um "aqui vai disto" mais ou menos às cegas... e assim um dia, quase sem querer, deixamos de sofrer.

17 novembro, 2009

Swingar

Se há coisa difícil de aprender é a guardar segredos. É que às vezes são tão apetecíveis, que somos tentados a ter vontade de os partilhar... o que é um erro, claro, porque a partilha da intimidade é tão rara que temos e devemos preservá-la.
Mas vamos ao segredo?

Tenho uns amigos que são swingers. O assunto só é sigiloso porque no círculo dos amigos mais chegados ninguém sabe. Mas entre nós o tema não é tabu, e cada vez que estamos juntos pergunto-lhes: "Têm conhecido alguém interessante? E como era ela? E ele? E conversam muito? E ficam a ver? E foi toda a noite?".

Todas as perguntas são válidas para quem está de fora, porque todos nós temos as nossas próprias fantasias, e por isso todos nós swingamos. E como as nossas próprias fantasias normalmente não são fáceis de concretizar, acabam por ficar a swingar nas nossas mentes. O swing arrepia para quem está de fora, não é?

Mas falar sobre este assunto com estes meus amigos tornou-se quase natural. Um dia até me enviaram um link de um site para eu espreitar. E posso-vos dizer que o que por lá encontrei nada tinha de bonito... Nomes mirabolantes encabeçavam pequenos textos a anunciar o que cada um pretendia, mas o pior mesmo era a galeria de fotos... um verdadeiro amontoado de mamas e pilas grandes, penetrações e bocas cheias.

Também gostei de saber que as mulheres são muitas vezes "bi", mas os homens são sempre "hetero"!!! Ou seja, nem a esta modernice do swing escapa o machismo, porque giro é ficar a ver duas mulheres a lamberem-se, mas homem que é homem nunca deve ser lambuzado por outro. Tendo em conta o que sei (e só posso falar pelo que os meus amigos me contam), não me apetece experimentar... lamento.

Por vezes a rotina e a saturação levam-nos a procurar outros caminhos da salvação (ou perdição?), mas a verdade é que esta abertura pode ser labiríntica.
Afinal, não será o swing uma fuga ao amor?

04 agosto, 2009

Infidelidade

A infidelidade pode ser como uma armadilha que inicialmente nos abraça, e que depois acaba por nos estrangular.

Não há nada melhor do que a própria infidelidade para acabar com uma relação, mesmo que esta acabe por se ir mantendo ao longo dos anos, isto porque acaba por ficar sempre no ar a pairar uma nuvem de desconforto, mesmo que seja bem camuflada por mentiras bem articuladas com fundos de verdade.

A infidelidade, mesmo que mais ninguém repare, é como uma nódoa, que só se torna visível para as pessoas que estão dentro da própria relação. Está sempre ali, ao alcance dos nossos olhos, e dificilmente lhe conseguimos desviar o olhar...

29 julho, 2009

Saí do escritório à hora de almoço, e como estava um dia cheio de sol, resolvi trocar o almoço por um café numa esplanada à beira-mar. Já na esplanada, de óculos escuros, e com o café na mesa, comecei a aperceber-me da conversa que vinha da mesa do lado...

Eram dois casais que falavam pelos cotovelos... ou pelo menos um dos homens, que para além de não se calar, falava muito alto, e gesticulava. Estava a falar de uma Mafalda qualquer, e repetia vezes sem conta uma das palavras que mais me irritam: "Oiça!", "Oiça!", "Oiça!".

As mulheres que os acompanhavam, simplesmente não falavam, e cheguei a pôr em dúvida se o estariam a ouvir, ou se já estariam a sonhar com uma limpeza de pele, ou aquela camisola que mandaram guardar na loja para o marido pagar. O tal que não se calava, falando da tal Mafalda, diz então: "Que habilitações tem ela para o cargo, não sei, mas toda a gente sabe que ela subiu na horizontal".

Eu já ouvi esta expressão umas centenas de vezes, e para além de me irritar, discordo completamente deste chavão. Porque será que qualquer mulher bonita que chegue a um cargo importante numa empresa, tem de ver a sua honra em dúvida? Porque será que um "começo por baixo" tem de acabar numa "subida na horizontal"? E porque será que nunca se acha que os homens sobem na "horizontal"? Quererá isto dizer que só as mulheres é que usam o sexo para fazerem carreira?

A mim não me parece, até porque conheço muitos homens que se serviram dos seus atributos físicos para alargarem o horizonte na horizontal. Mas na verdade todos eles saem sempre ilesos e sem mácula das suas conquistas, reforçando até a sua prateleira de troféus.

Numa empresa em que trabalhei havia um chefe novo e bonito, que já conhecia os gemidos de quase todas as minhas colegas, e eram elas que tinham o rótulo de "comidas", enquanto ele continuava a ser o jovem bonito e galante que ia preenchendo a estante.

Porque será que nunca ouvi nenhuma delas dizer que o tinha "comido"? Porque será que nunca ninguém duvidou da subida meteórica dele? Terá subido na horizontal?

Depois de todos estes pensamentos e dúvidas, do café tomado, e do corpo aquecido pelo sol, voltei para o trabalho, porque pelo sim pelo não há que garantir a carreira...

21 junho, 2009

Li um destes dias que a masturbação pode evitar o cancro da próstata, e que ejacular pelo menos cinco vezes por semana faz muito bem à saúde. Por isso vamos lá todos a tirar a mãozinha do bolso.

Lembro-me de me ter começado a masturbar quando estava no auge de uma paixão. Podem achar estranho, mas desde essa altura que eu vejo a masturbação, não como sinal de insatisfação, mas antes como um complemento, ou prolongamento de uma relação. É verdade que a masturbação continua pela maioria das pessoas a ser considerada uma perversão, porque ninguém acha normal que se possa "perder" tempo com a mãozinha, o chuveiro, ou a almofada.

Eu considero a masturbação tão saudável como o sexo, porque penso nela como uma espécie de estágio para o grande desafio que é o prazer a dois. Confesso que este assunto não me tem saído da cabeça só por causa da notícia do cancro da próstata. É que me tenho apercebido que há por aí muitas mulheres que nunca tiveram um orgasmo... Algumas já mo confessaram, outras desconfio. As mulheres que nunca tiveram prazer sozinhas, dificilmente o terão acompanhadas, porque o prazer depende e muito da libertação da mente.

A questão é que nenhum homem pode mentir no momento do orgasmo, porque nenhum homem satisfeito fica seco. As mulheres é que podem levar uma seca na cama, lugar onde deveriam também sentir os benefícios da humidade... mas a maioria das vezes mentem antes de lá chegar. Uma mulher que nunca sentiu um orgasmo deveria perder mais tempo com ela. Seja em casa ou no local de trabalho. Porque não quando se sente um calorzinho dar-lhe continuidade? Afinal o prazer será sempre o que dele quisermos fazer...

Eu sempre me aqueci como me apeteceu. Nunca fui menina de almofadas ou chuveiro, dois dos recursos mais procurados pelas minhas amigas. Gosto das minhas mãozinhas, e também não dispenso um filmezinho rasca de vez em quando gravado numa cassete antiga a dizer ARTE. Gosto de me masturbar, e gosto de sexo com outra pessoa, porque para mim uma coisa não invalida a a outra... bem pelo contrário... só nos torna mais válidas, e capazes em ambas as modalidades.

07 junho, 2009

“O meu amor é tão forte, que o devias sentir. Tinhas a obrigação…”
“Quem te disse que não sinto?”
“Pois, mas se sentes e nada fazes…”
“Tenho medo!”
“Medo?!? Medo do quê???”
“Medo.”
“É normal, mas a vida é mesmo assim, e é preciso vivê-la, não?!?...”
“Pois. Mas não sei que fazer.”
“Achas que estás melhor assim, que estamos melhores assim?”
“Não sei. Já não sei muito…”

13 maio, 2009

Falar abertamente

Nunca desejei ser homem, mas como todas as mulheres já me revoltei contra o período, os pêlos, e a ditadura do peso.
Há quem me diga que pareço um homem por falar abertamente sobre sexo, e por ir para a cama com quem me apetece. Mas na verdade tenho que vos dizer que não vejo nenhum tipo de problema nisso.
Aliás até sou da opinião de que os homens não falam tão abertamente assim, porque quando estão numa "tasca" qualquer a dizer que "comeram" esta ou aquela, além disso não significar falarem abertamente sobre sexo, também não é bonito, nem lhes fica bem.

05 abril, 2009

Quecazitas meia leca

Lembro-me de ter andado a dar umas voltas com um gajo que tinha namorada, sem que nunca me tenha sentido apaixonada por ele... o que poderia ter acontecido, mesmo sabendo que dificilmente ele iria deixar a rapariga. O gajo lá me caiu nos braços (ou eu nos dele), e o sexo nem valeu lá grande coisa... mas ainda assim repetimos várias vezes a experiência.

Passados uns tempos sempre que nos cruzávamos ele ficava todo intrigado, porque não percebia porque é que eu não andava atrás dele apesar de estar sozinha, e de ele dar um belo poster de quarto para qualquer adolescente.

A verdade é que já me tinha apercebido que ele tinha contado a todas as amigas as nossas quecazitas meia leca, e eu passei a ser vista como a gaja que foi para a cama com o amigo que tem namorada.

Um dia cruzei-me com ele, e ele estava acompanhado com outro gajo com quem até simpatizo. Quando os cumprimentei, ouvi-o dizer para o outro: "Ela tem uma casa gira". Aqui está a sua forma subtil de dizer que me tinha "comido"... ou será que o outro ficou a pensar que ele me poderia ter ido arranjar a canalização?

22 março, 2009

Diz-me porque é que me queres dar a chave do teu quarto, se não queres que eu entre e te ame, mas apenas queres que eu te tenha mais uma vez... e por um momento?

Ligas-me toda romântica a dizer que estás triste por partires amanhã de manhã bem cedo!!! Dizes-me que às vezes sentes a minha falta quando estás nos teus momentos de solidão!!! Perguntas-me se eu não me sinto só também!!!

Respondo-te com toda a delicadeza... Não podemos continuar tão apegados, por isso vamos procurar viver vidas separadas. Consegui resistir, e deixar-te partir... Perdi o amor que sentia por ti, o mesmo amor que tu nunca demonstras-te teres sentido por mim.

Não há forma de nos reconciliarmos. Assim tu podes reconstruir aquela parede que te faz sentir sempre mais forte e distante. Tu não tens o direito de me perguntar como é que eu me sinto. Talvez um dia eu te possa encontrar, e olhar-te nos olhos, mas por agora vamos continuar a viver vidas separadas.
É tão fácil o amor levar à solidão...

06 março, 2009

Desconfio que há pessoas que não gozam aquilo que uma relação lhes pode proporcionar. Eu sou da opinião que num relacionamento não pode haver limites, mas mesmo assim eu tenho os meus, porque todos temos os nossos. O pior é quando esses limites não coincidem... Há por aí muita gente que tem limites muito estranhos!!!

Há aquelas que não gritam na cama, nem têm a capacidade de explorar aquilo que o sexo lhes pode dar, porque desde muito cedo constroem um relacionamento, depois perdem a virgindade com essa mesma pessoa, e logo de seguida começam a planear o casamento. Depois do casamento começam a pensar muito em ser mães... e depois o sexo deixa de ser frequente... Tenho muitas amigas que fizeram este trajecto de vida, até um dia... até ao dia em que...

Percebem que a vida é um carrossel, que pode e merece ser vivida, e que de desejadas a desejosas vai um pequeno passo. Isto acontece quando se interessam por alguém, começam a ficar outra vez mais magras e bonitas, coisa que os maridos inicialmente nem reparam. Compram roupas novas com maior frequência, começam a frequentar o ginásio, e deixam de falar na vontade de ter filhos.

Depois aconselham os maridos a sair com os amigos, dizendo que ficam bem por ali a verem um filme e a adormecerem no sofá. Eles ficam todos contentes, começam a achá-las mais bonitas, e a saírem todos confiantes, porque quando regressarem a casa depois da noitada com os amigos, e um pouco bebidos, ainda vão ter sexo... sempre muito igual... vinte minutinhos... no máximo... nem uma palavra durante... um sorriso no fim... e toca a virar as costas que o soninho está aí.

Elas por sua vez depois de eles saírem para a tal noitada com os amigos, suspiram de alívio, sentam-se no sofá, mas em vez de verem o tal filme e depois adormecerem, começam a trocar sms's com outro, que por acaso acham muito interessante e começam a pedir umas palavras bonitas... daquelas palavras que levam ao sexo, que tiram o sono, e a fome.

Como já "dormiram" algumas vezes com eles, tornam-se mais exigentes, e começam a achar que eles estão menos generosos que o costume, que as sms's começam a chegar a conta-gotas, e começam a sentir-se angustiadas. Nos intervalos longos entre as mensagens, começam a lembrar-se dos fins de tarde em que "dormiram" com eles, e em que voltaram a descobrir o prazer do sexo oral, e de se voltarem a excitar com apenas alguns beijos.

Eles que andavam loucos por elas começam a fartar-se, porque começam a achar que antes de terem "dormido" com elas, elas eram menos ansiosas, e agora estas mensagens em catadupa já chateiam, e o que não faltam por aí são umas quantas também belas e simpáticas, e se calhar descomprometidas...

Assim entre um "dormida" e outra, elas rapidamente passam de desejadas a desejosas. E assim acabam por adormecer a pensar no fim precoce que essas "dormidas" tiverem, e acabam também por perceber que se pode viver um outro tipo de vida, e que se pode repetir o fracasso das "dormidas" até estas serem um sucesso.

Passado umas horas eles - os maridos - regressam a casa das noitadas com os amigos, sentem-se felizes, e voltam a desejar a mulher que ali têm ao lado a dormir.

É bonito o amor... Parece um carrossel...

04 fevereiro, 2009

Sms's

Estou a ouvir Nina Simone, e a música vai bem com este fim de tarde. E ele que ontem saiu aqui de minha casa de mãozinhas a abanar, não pára de me mandar sms's. O clássico... prazer adiado, no telemóvel é conquistado. A mim seduz-me este jogo. Sobretudo porque sei que não posso, ou não devo dar seguimento à coisa.

Mas a vontade... a vontade é soberana, e pensar arrasa com a emoção. E o que sinto é real... por agora é cama... ou vontade que para lá caminhe...
Não lhe respondi ainda a nenhuma sms. Tenho-me aguentado. Mas há dez minutos atrás, a última sms que ele me mandou dizia: "Vamos jantar?".
Esta noite ou muito me engano ou a coisa vai descambar...

28 janeiro, 2009

Rasguei-me ao meio

Naquele tempo eu sentia-me sufocado... as tuas surpresas... os teus telefonemas... a tua presença constante... os nossos sorrisos... os nossos suspiros... os nossos olhares cúmplices...

Não resisti... conseguiste-me fazer esquecer de tudo... como me tornei frágil... perdemo-nos um com o outro... tantas portas... tantos caminhos... tantas estradas... tantas janelas... e não conseguimos encontrar uma saída!!!

A nossa amizade hoje angustia-me.
Fugi do teu olhar, antes que me afogasse.

Fui então acusado de cobardia, e nunca fui compreendido.
Fui acusado de não ter lutado... e tu... será que tu não deverias ter lutado também?
Fui acusado de não ter esperança, e nisso talvez tenham razão, porque apaguei todas as luzes logo após te ter negado a possibilidade de entrada na minha vida.

Os meus pés decidiram parar antes que me perdesse de vez.
Desde esse dia tentei arranjar novos sonhos... compartilhar novos planos...
Saí pela porta dos fundos quando não havia ninguém a olhar.
Vagueei falsamente distraído, à procura de ouvir os sons do silêncio e nada mais.

Apaguei os teus sorrisos da minha memória.
Rasguei-me ao meio e deitei metade fora.