06 novembro, 2007
Felizmente sou uma mulher de relacionamento fácil, por isso posso gabar-me de ter muitos amigos. Amigos estes que muitas vezes se irritam com as minhas incoerências, mas a todos eles eu já disse que para mim no amor não há coerência, e a verdade é que todos aqueles que de mim duvidaram fraquejaram no amor. E eu que costumo errar tanto, principalmente por a partir dos trinta anos me ter tornado aberta ao prazer do consumo imediato, não deixo de ter admiração por eles, ou talvez a tenha especialmente por isso, por eu também errar tanto.O amor nunca foi para sempre, mas agora ele é sempre tão rápido, que me decidi a correr atrás dele até me cansar. Estou-me nas tintas para o estatuto, para as aparências, ou para a intelectualidade que costuma unir pessoas que pensam da mesma forma, mas não une os corpos. Seguindo esta minha linha de orientação, tenho tido uma relação com o sexo mais honesto dos últimos meses.
Por honesto entenda-se um satisfaz plenamente, onde não há espaço para angústias, porque não há amor, nem promessas de espécie alguma. Esta combinação dá sexo puro, e uma entrega desmedida de duas pessoas que usam o corpo às cegas. Faz-se com as mãos, os pés, a língua, enfim... com tudo aquilo que se poupa em promessas e frases bonitas.
Eu nunca lhe pergunto nada que não seja pela linguagem corporal, mas isso não nos impede de ficarmos colados com os olhos um no outro com a luz a bater nas nossas imperfeições.
A paixão é como a claridade, deixa-nos ver todas as imperfeições, e continuamos ali presos a querer ver mais.
O que temos tido é sexo honesto, que nos satisfaz plenamente... e é tudo.
Estive com ele até agora umas seis ou sete vezes, e a última vez foi sempre melhor que a anterior, por isso estamos a pensar em criar uma nova edição do kamasutra.
16 outubro, 2007
Não me adianta procurar, porque não existem livros para homens que sejam pais... nem na secção de ciências ocultas.Depois do bebé nascer deixamos de fazer parte da equação natural.
Não se trata de uma conspiração. As mulheres até tentam manter os homens dentro da equação. O problema é que nós não sabemos como nos manter maternos.
Seremos homens capazes de inventar um complexo químico qualquer que nos permita manter integrados neste acto solene de paternidade sem bocejar? Porque raio ninguém até hoje criou um código de conduta que discipline a actuação do homem numa família?
Talvez seja porque o pai é apenas o selvagem num meio que exige harmonia e paz.
Eu disse... apenas?
Isso já me parece imenso...
08 outubro, 2007
Passamos a vida a tropeçar em desencontros, em chegar tarde de mais ao que queremos viver. Por isso é que vivo tudo o que me dá na real gana. Estes últimos anos foram prodigiosos, sinto que rejuvenesci... sim, porque o sexo renova.A quantidade de flirts, noites com Harmony, e outras menos harmoniosas que passei, fazem-me saber bem o que quero... quero continuar a viver de uma forma despreconceituosa. A opinião dos outros sobre a minha vida é pouco relevante.
É bom saber que vou sempre a tempo de viver o que quero, porque o coração nunca se deve adiar.