21 novembro, 2008
Andava eu muito sossegada numa vidinha entre o escritório e casa, o que até nem me importava porque aproveitava para pôr os meus contactos em dia (de trabalho, claro), e ainda para visitar alguns blogues, quando o meu chefe veio ter comigo e me disse que estava para chegar um novo colaborador para a empresa, e que gostaria que ele passasse uns tempos comigo. Eu sorri-lhe com honestidade, e disse-lhe: "Claro, se o chefe acha que sou capaz de tomar conta de alguém..."E ele entre dentes avisou-me: "Nada de copofonia, ouviste?"
Fiquei logo a perceber que iria ter um problema pela frente para resolver, e questionei-me se já teria chegado à fase de me acharem maternal, para me estarem a rodear de putos novos. Logo eu que já comi montes de putos imaturos...
Restava-me a esperança de me surgir pela frente um puto imberbe e borbulhento, que me fizesse não pensar em actos pecaminosos.
E lá chegou o seu primeiro dia. Eu apresentei-me no escritório com uma roupa discreta, para não impressionar, e esperei confiante, inventando telefonemas à espera da chegada do novo colaborador...
"Este é o B." - disse-me o chefe exibindo-o com orgulho. E tinha razões para isso, porque eu vi logo na cara do puto a palavra PROBLEMA, e disfarcei com um cordial - "Bom dia B.".
Dei-lhe duas ou três tarefas menores para começar... uns preliminares, portanto... e no fim do dia ele perguntou-me: "Vamos jantar?". Fiquei em pânico, porque ele era um puto bem-parecido, moreno, alto, e com um lindo sorriso...
Ia dizer-lhe que não? Estando ele em formação comigo? Levei-o a jantar ao Bairro Alto.
Conclusão... ando a jantar com ele há duas semanas, e ontem bebemos de mais, ao percebermos que queremos ver os mesmos concertos, e que gostamos dos mesmos filmes. Quando apanhámos o táxi e parámos à porta de minha casa, ele disse-me: "Gostava de subir para ver os teus discos". E eu levei-o comigo, e enquanto ouvíamos um CD novo, de repente ele riu-se e disse-me: "Ensina-me os preliminares"...
Agora estou com um problema... é que estou a ver que a formação vai ser longa...
17 outubro, 2008
Há alturas na nossa vida afectiva em que somos capazes de nos comportar como autênticos refugiados, e por isso abrigamo-nos no beijo de quem estiver mais próximo, e escondemo-nos nos lençóis que se nos apresentam mais confortáveis.Somos capazes de nos comportar como autênticas prostitutas de sentimentos, e de vendermos o amor que sentimos por um pouco de atenção... por um beijo fácil... por uma noite descomprometida... por um amanhecer a dois seguido de... nada...
Não temos medo, nem vergonha de nada, e sentimos que podemos amar à vontade, porque este tipo de relacionamentos não passam da alvorada.
Somos estúpidos... hipócritas... egoístas... e egocêntricos atordoados por delírios esculpidos no meio de dois corpos unidos pelo acaso, que depois se despem um do outro sem se despedirem...
It's always and only a one night stand...
23 setembro, 2008
A caixinha que mudou o mundo, não foi a televisão, meus amigos. Foi uma caixinha espevitada de comprimidos azuis, e que diz na embalagem Viagra.Nunca tive muito contacto com medicamentos, ainda que qualquer infância não seja infância sem brincar aos médicos. Curiosamente atraio imensa gente hipocondríaca. Será que vêem em mim a continuação dos problemas, ou a salvação?
Vamos lá a ver... não é vergonha nenhuma tomar Viagra. Pelo contrário. Felizes os que têm posses, e (à) vontade para o comprar. Para mim é que foi a primeira vez que estive com alguém que o fazia, e fiquei com uma ligeira taquicardia mesmo sem os tomar, e foram milhares as perguntas em atropelo que me surgiram na cabeça...
- Será que um homem se sente ofendido se uma mulher em pleno acto gritar... Viagraaaaaa? Será traição?
- Uma mulher deve oferecer-se para ir buscar os comprimidos com um copinho de água, ou devemos ignorar que ele os toma, para não o ofender?
- E andar com uma caixinha suplente na carteira será de mau tom?
Que fique bem claro que sou capaz de gostar de um homem que tome Viagra, porque isso apenas significará que ele é capaz de fazer das suas fraquezas o seu forte.