19 maio, 2008
Sei o quanto doem as desilusões.Não falo daquelas que existem no amor, e que fazem pender a balança uma vez para um lado, outra para o outro, até que um dia tudo se desmorone com um silêncio ensurdecedor.
Falo das relações de sangue, que deveriam perdurar toda a vida, que crescemos a acreditar que são sagradas, e imunes a todos os males.
Mas é mentira!!!
A vida corrói as relações entre adultos, porque as pessoas crescem de formas diferentes, e amadurecem muitas vezes com amargura, raiva, e frustração. É triste, mas é verdade...
Tenho cada desilusão que a vida me trouxe cravada na pele como se fossem cicatrizes.
23 abril, 2008
Não sou amarga, por mais que me contrariem o coração. Sou apreciadora de homens com sensibilidade, e com bom senso, embora normalmente o bom senso seja muito relativo...Desde muito nova que me apaixono com facilidade, por isso decidi trocar o termo "paixão" por "fascínio", porque me fascino com tudo o que as pessoas têm para me mostrar, e com tudo o que lhes posso conquistar. Gosto desta luta, que por vezes se assemelha à improbabilidade de encontrar uma casa de banho limpa num festival de Verão.
Uma desta noites sentados na mesa de um bar, e com a vista mais bonita com que poderia sonhar como pano de fundo, ele por quem me sentia apaixonada, disse-me:
"É estranho, mas eu nunca me senti tão à vontade a falar com ninguém como contigo"
E eu perguntei: "E isso é bom, ou mau?"
Ele respondeu-me: "É assustador"
Depois dele me dizer isto a música do bar parou, e os empregados limparam os últimos copos. Então eu quase a cambalear levantei-me, fui até ao balcão, e ajudada por tudo o que tinha bebido e ouvido, dirigi-me ao barman e disse-lhe:
"Eu percebo que queiram todos ir para casa descansar, mas não parem a música, para não me pararem este momento"
Voltei à mesa dos copos vazios, de todas as palavras que ele ainda não me tinha dito, e de todas as confissões, e voltamos a ouvir a banda sonora da noite, que por acaso era péssima devo dizer, mas o que quer que fosse teria soado bem naquela noite.
Saímos do bar directos para o carro, de mão dada, e unidos pela paixão. Ele deixou-me em casa e fui dormir. Nunca mais estive com ele...!!!
Vejo-o muitas vezes, ele sorri-me a medo, e eu procuro nem olhar para ele. Quando estou acompanhada, ele arrisca em vir dar-me um beijo, porque sabe que assim não corre o perigo de eu o questionar. Vem com o seu ar "politicamente correcto" e pergunta-me: "Estás boa?". Depois afasta-se confiante, e com a sensação de ter cumprido o seu papel.
Deve pensar que eu acho que ele até é um gajo porreiro... e até acho, só que para mim um gajo porreiro é uma coisinha insuficiente, porque na minha avaliação, seja de uma queca, ou de um amor, a positiva só começa a partir da coragem.
Não percebo como ele pode ter sido tão cobarde, e há de certeza quem ache que eu deveria vingar-me dele, enxovalhá-lo, ou desprezá-lo num momento "politicamente correcto", mas eu nunca lhe faria uma coisa dessas, porque a vingança é uma motivação muito perigosa, por isso prefiro sorrir, sabendo que um dia ele vai lembrar-se de mim quando precisar de coragem.
A coragem só podia ser mesmo uma palavra feminina...
17 março, 2008
Demos uma escapadela de duas noites ao hotel mais bonito, e mais "in" da minha cidade, que é aquela a que os Lisboetas insistem em tratar por "Inbicta", o que me irrita bastante, tanto quanto a história do "cimbalino", que já ninguém diz, mas que eles insistem...A coisa começou logo mal, porque chegados ao hotel ele abraçou-me logo na recepção, e aquilo, sei lá porquê, pareceu-me exagerado... enjoativo mesmo...
Subimos no elevador envidraçado que me faz sonhar com Tóquio, e comecei a achar que ele não tinha sido a escolha certa para contracenar neste filme comigo, mas aguentei-me...
No quarto, ele começou logo a despir-me, e eu a sonhar com o jacuzzi, acabei por lhe dizer, num estilo que não me reconheço: "E se deixássemos isto para depois?". E comecei a sentir os primeiros sinais de arrependimento.
A caminho do spa, eu e ele de roupões vestidos, e mesmo comigo a precisar de mais umas sessões de drenagem linfática, a verdade é que me sentia nas tintas para que ele reparasse nisso, porque não estou apaixonada, porque se o estivesse a conversa seria outra.
Na piscina, ele refastelou-se nas cadeiras longas, e eu nem queria acreditar quando ele sacou do seu charuto, e me perguntou confiante: "Vamos?". E enfiou-se no jacuzzi de charuto na boca, julgando-se dono do mundo!!!
No momento em que lhe digo: "Não me parece que te fique bem essa coisa na boca", uma rapariga muito educada vem ter connosco e pede-lhe amavelmente que apague o charuto.
A partir daqui começou a minha contagem decrescente para que esta escapadela de duas noites chegasse rapidamente ao fim. Era escusado... era escusado eu ter dado a este gajo esta oportunidade, mas se não o tivesse feito, talvez me arrependesse na dúvida. Assim fiz, está feito, e não se repete.
O tempo acabou por passar depressa, graças à quantidade de vinho e cocktails que fui bebendo. Na primeira noite, bebemos tanto que caímos na cama vestidos. Na segunda noite, invoquei a amiga ressaca para não ser "incomodada".
Benditas as bocas que não se ocupam só de charutos...