10 maio, 2006

Há a ideia de que os homens se conquistam pelo estômago. Esta expressão sempre me tirou o apetite, e não pensem que não sei cozinhar.
Para mim o prazer da comida é tão bom como o de ser comida. Alimentar o próximo é uma das missões do ser humano, e eu contribuo sempre que posso...
Gosto de cozinhar e de descobrir nas coisas mais simples o segredo para grandes resultados. Como no sexo? Sim, como no sexo. É como deixar o soutien abaixo do peito sem nunca o tirar completamente, costuma funcionar bem...
Tal como julgo que ninguém nasce mais ou menos dotado para a prática do sexo, também me parece que na cozinha é tudo uma questão de empenho e imaginação.
Os homens já não se conquistam pelo estômago, e muitos até já só se deixam conquistar pelas bocas... de silicone.
Não condeno ninguém, mas lembro-me de uma amiga minha, que chegava a casa depois do trabalho, e ia cozinhar "para o resto da semana". Acabou gorda e abandonada. Ao passar a ser o prato mesmo forte do homem que ela gostava, ele não resistiu à fraqueza da carne alheia. Lá a deixou com mais doze quilos, e o dobro das estrias. Felizmente ela de tanto sofrer emagreceu. Ainda o cheguei a ouvir dizer:
"Quando a conheci ela usava minissaia"
Sou tão contra isto, como contra as mulheres que deixam os namorados morrer à fome a partir do segundo ano de convivência sexual. As enxaquecas (metade da palavra é mentira) passam a ser a ementa repetitiva da relação, e sabemos que ninguém gosta de comer sempre a mesma coisa... quanto mais não comer!!!
Falta de educação à mesa também não tolero. Que não acabem a refeição para se deliciarem comigo, é uma coisa, agora que me perguntem pela carne depois de terem comido peixe, é que já não aguento.
Pessoalmente fico muito contente cada vez que um homem me mostra que sabe usar as mãos na cozinha. Quando ele engordar nunca o irei chatear com a história da minissaia...

20 abril, 2006

Damo-nos mal...
Fodemos bem e fodemos mal, mas nunca nos damos bem.
Estamos sempre a foder, ou a recuperar, ou a prepararmo-nos para foder.
Em nada afecta o nosso amor.
Tanto suspirámos como arfámos, tanto dizemos carinhos como palavrões, é-nos igual.
A coisa funciona sozinha.
Se exigisse algum esforço da nossa parte, fracassaria.
É a consolação que nos resta.
O amor é fodido, mas foder também...

06 abril, 2006

O meu pijama

Odeio dormir despida. Dois minutos bastam-me depois da "união de esforços", para sentir o corpo alheio e ouvir qualquer coisa como:
- És tão macia...
Eu digo que sim, e penso:
- Agora já podes tirar o braço do meu ombro.
Evidentemente que ele está a fazer o mesmo sacrifício que eu, mas pensa duas vezes antes de se afastar, porque tem medo de parecer pouco romântico, e de dar logo a impressão (dois preservativos depois), que era apenas o sexo que o movia. Tento sempre evitar os complexos, por isso procuro manter o ambiente à média luz, para que não seja na primeira noite que se fiquem a conhecer todos os meus defeitos.
Aproveito o facto de acordar sempre a meio da noite para vestir o que estiver à mão... mas nunca as cuecas dele, nem a camisa (isso é coisa de filmes) que ele vai voltar a usar... muito menos as meias...
Normalmente quando acordo procuro o meu pijama. Uso sempre combinados (calças/camisola) discretos, de cor única, que se podem passear num jogging matinal. Muitas vezes para os enganar, salto da cama ao primeiro toque do despertador e digo já a respirar com disciplina:
- Vai uma corridinha?
Eles ainda atordoados esfregam os olhos, e não percebem que estive ali o tempo todo a dormir "equipada". Assim ficam com uma imagem de uma mulher energética, ainda que se perguntem porque é que eu não tenho um corpo mais atlético...
Pijama sim, camisa de noite imaculada nunca, ou passaria a madrugada em branco...