16 novembro, 2005

Mentir

Só te tenho pedido ao longo do tempo que temos passado juntos uma única coisa, que me digas sempre a verdade.
Podes ir e vir quando e como te apetecer... correr atrás de quem quiseres... roubar-me dinheiro... afastar-me dos meus amigos... fazer-me cenas no trabalho... chamar-me todos os nomes...
Não gosto, mas aceito tudo, desde que não me mintas. Porque é que uma pessoa que pode fazer todas as maldades que lhe vêm à cabeça, com impunidade e protecção constante, precisa, para além disso, de mentir?
Não percebo. Nunca irei perceber.
O que é que eu verifico que mais me tens feito desde que estamos juntos, muito mais do que estragar-me a vida?
Mentir-me... mentir-me sem razão... mentir-me sem medo de seres apanhada... mentir-me acerca das tuas próprias mentiras.
E porquê? Porque gostas de mentir?
Não. Mentes só porque eu te peço para não me mentires. Custa-te mas lá consegues. Esforças-te para contrariar a tua fraqueza, tal é a vontade de me enganares e desiludires.
"Posso ser má mas sou sincera..." - Estás sempre a dizer isto. E eu acredito, claro!!!
Tens de me mentir para eu nunca saber de nada, julgando que sei. Fazes de mim um parvo para além de toda a estupidez possível...

13 novembro, 2005

O cinema

Por todo o lado se lê agora que o cinema é o maior culpado da frustração sexual. Os homens indignam-se, porque não há mulheres dispostas a ter sexo contra a porta do frigorífico... na padaria... em cima do estirador... na furgoneta avariada...
As mulheres não percebem como é que as outras mulheres - as que vêem nos filmes - ficam húmidas em dois segundos e atingem o orgasmo com eles ainda de calças vestidas na casa de banho pública. O cinema é tudo isto. A nossa vida normalmente é menos que isto...
O sexo em toda a parte devia ser obrigatório para deixar-mos a caminha para momentos especiais, mas somos levados pelo óbvio, mesmo quando o momento é inesperado. Tenho uma amiga que se queixava de o namorado não querer sexo senão na cama. Péssimo, claro, mas, tal como ensinamos os cãezinhos a fazer chichi no sítio certo, também podemos levar o nosso namorado ao lugar que fantasiámos.
A minha amiga tem agora outro namorado que gosta de sexo na casa toda... menos na cama. A justiça ri-se de nós.
Eu, que tenho uma casa com uma enorme varanda, não a tenho rentabilizado como devia. É que normalmente mostro a casa inteira e o momento da varanda é apressado para não parecer romântico. É também recente a minha descoberta - mas descobrimos tudo depois dos trinta? - de que os homens se assustam quando lhes mostro a casa. Como é que descobri? Há aqueles que ao fim do jantar e três copos depois, nunca tendo a relação passado da amizade, me dizem:
"Tu realmente és um bocado oferecida. Convidas-me para subir e ver a casa, e o que querias?"
Na verdade, não queria nada. Acho simpático agradecer a boleia e convidar para subir. Lá vem o cinema outra vez. Nos filmes, quando se vê uma cena destas, não é para comer tarte...
Mas, meus amigos, ex-namorados e aqueles que hão-de vir, se vos mostrei a casa e a varanda e vos deixei ir em paz é porque nunca vi sexo em vocês.

07 novembro, 2005

Ficar sozinho

Numa determinada fase da minha vida decidi que mais valia ficar sozinho... e nunca tive tantas "namoradas" como nessa fase!!!
A minha última paixão já me tinha passado e parecia-me a ocasião ideal para me isolar do mundo do qual me tinha fartado.
Porque será que as mulheres não resistem a um homem que quer mesmo estar sozinho, que nem sequer quer ter amigas só para ir para a cama com elas?
Não se pode ficar sozinho e bem disposto neste mundo. Para se garantir uma solidão minimamente desacompanhada é preciso estar-se triste.
Eu não estava...
Tinha algum dinheiro... carro... casa e outras coisas parecidas que também nos impedem de descer à mais baixa das misérias.
O meu período "só" foi... um corropio!!!
As gajas entravam por uma porta num dia e saíam por outra no dia seguinte... raramente se cruzavam... cada uma era "atendida" no seu tempo, com um toque personalizado. Se calhar combinavam entre elas... capaz disso eram elas, tal era o desrespeito que me tinham. Só sei que muitas delas eram amigas umas das outras. Sei porque era destas que eu menos gostava. Foder uma amiga de uma amiga é chato, é como sair um cromo repetido. Então quando elas se fartam de nos imaginar com outras mulheres, como é do seu feitio, é sempre de temer que nos estejam a imaginar na cama com as amigas.
Tira um bocado o tesão esta familiaridade.
Quando se está sozinho só se pensa em foder, da mesma forma que quando se pára de foder só se pensa em estar sozinho.